Da Redação

Prefeitos aliados ao vice-governador Daniel Vilela (MDB) passaram a defender, nos bastidores, uma redução no número de pré-candidaturas da base governista ao Senado nas eleições de 2026. Embora não exista qualquer articulação oficial para que nomes deixem a disputa, cresce entre gestores municipais a avaliação de que uma chapa mais enxuta aumentaria as chances de o grupo conquistar as duas vagas em disputa.  

Atualmente, a base do governo reúne quatro pré-candidatos ao Senado: Gracinha Caiado (União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD), o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha (PRD) e o deputado federal Zacharias Calil (MDB). Para parte dos prefeitos, o elevado número de postulantes dificulta a concentração de apoios e pode fragmentar os votos do eleitorado governista.  

A discussão ganhou força após um almoço promovido pelo ex-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), que reuniu mais de 80 prefeitos. Baldy, que desistiu da pré-candidatura ao Senado para integrar a chapa de Gracinha Caiado como suplente, manifestou apoio à ex-primeira-dama e a Vanderlan Cardoso, movimento interpretado como um sinal de busca por maior unidade dentro da base.  

Entre os defensores de uma composição mais concentrada está o prefeito de Trindade, Marden Júnior (PSD). Segundo ele, quanto menor o número de candidatos da base, maiores serão as condições de organizar o trabalho político nos municípios e direcionar os dois votos disponíveis para candidatos do mesmo grupo.

Apesar da avaliação favorável à redução das candidaturas, Marden afirmou que, por enquanto, declara apoio apenas a Gracinha Caiado. Sobre o segundo voto, disse que aguardará as definições partidárias e as convenções antes de anunciar uma posição.  

Já o prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), adotou um discurso mais cauteloso. Para ele, a composição da chapa majoritária deverá ser construída por meio do diálogo entre os partidos e as principais lideranças da base, sem imposições individuais.

Segundo Vilela, a definição sobre as candidaturas será debatida até o período das convenções, sempre buscando uma alternativa que fortaleça o grupo político e beneficie o Estado de Goiás. O prefeito evitou defender publicamente a retirada de qualquer pré-candidato, ressaltando que a decisão dependerá de um entendimento coletivo.  

A discussão ocorre em um momento em que a oposição também reorganiza sua estratégia para a disputa ao Senado. O delegado Humberto Teófilo (Novo), por exemplo, retirou sua pré-candidatura à Casa Legislativa para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e declarou apoio ao deputado federal Gustavo Gayer (PL), afirmando que o objetivo era evitar a divisão dos votos do campo conservador. Com isso, o grupo ligado ao senador Wilder Morais (PL) passou a concentrar esforços principalmente nas candidaturas de Gayer e do vereador Oséias Varão (PL).  

Na avaliação de prefeitos da base governista, essa reorganização da oposição reforça a necessidade de reduzir a dispersão entre os aliados do Palácio das Esmeraldas. O entendimento é de que, quanto maior o número de candidatos governistas, mais difícil será consolidar uma estratégia eficiente para garantir as duas cadeiras em disputa no Senado.

Apesar desse debate, Gracinha Caiado aparece como o principal nome de consenso entre os prefeitos. O foco das articulações, no entanto, está voltado para a definição do segundo candidato que poderá compor uma dobradinha competitiva. Nesse cenário, Vanderlan Cardoso, Gustavo Mendanha e Zacharias Calil seguem buscando ampliar alianças com prefeitos e lideranças municipais.  

As pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas mostram Gracinha na liderança da corrida ao Senado, enquanto a disputa pela segunda vaga permanece aberta. Os levantamentos apresentam variações entre os demais pré-candidatos, indicando um cenário ainda indefinido e sujeito às futuras articulações políticas da base governista.