Da Redação
A estreia do primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari provocou forte repercussão internacional e abriu um debate sobre o futuro da fabricante italiana. O lançamento do modelo Luce, apresentado como um dos projetos mais importantes da história recente da montadora, acabou recebendo críticas públicas de um dos nomes mais emblemáticos da empresa: o ex-presidente Luca Cordero di Montezemolo.
Responsável por comandar a Ferrari durante mais de duas décadas, Montezemolo demonstrou insatisfação com a mudança de rumo da marca e afirmou que o novo projeto pode representar uma ameaça à identidade construída ao longo de décadas. Em declarações à imprensa italiana, o ex-dirigente chegou a afirmar que revelar tudo o que pensa sobre o carro poderia prejudicar a empresa, mas alertou para o risco de “destruir um mito”.
Além das críticas à proposta elétrica, Montezemolo ironizou elementos visuais do veículo e chegou a sugerir que o tradicional símbolo do Cavallino Rampante não deveria aparecer no modelo. Também fez comentários provocativos sobre a concorrência chinesa, afirmando que ao menos aquele veículo dificilmente seria copiado.
O Luce representa uma ruptura importante na trajetória da Ferrari. Diferentemente dos esportivos tradicionais da marca, o novo carro aposta em uma arquitetura 100% elétrica, possui cinco lugares, quatro portas e abandona motores V12, considerados parte central da identidade histórica da fabricante. Apesar disso, a empresa desenvolveu tecnologias para tentar preservar parte da experiência sensorial, incluindo sistemas sonoros capazes de reproduzir características associadas aos modelos a combustão.
A reação negativa ultrapassou o campo das opiniões. Após a apresentação do modelo, investidores demonstraram preocupação com a aceitação do veículo e as ações da Ferrari sofreram quedas significativas na Bolsa de Milão, refletindo dúvidas sobre o impacto da eletrificação na exclusividade da marca.
Mesmo diante das críticas, a Ferrari aposta que o modelo inaugura uma nova fase da companhia e acredita que o segmento de luxo continuará absorvendo veículos elétricos de alto desempenho. O sucesso ou fracasso do Luce pode acabar definindo não apenas o futuro da marca italiana, mas também o caminho de outras fabricantes tradicionais do mercado de superesportivos.








