A segunda fase de um julgamento contra a Meta no estado do Novo México, nos Estados Unidos, começa nesta segunda-feira (4). A big tech é acusada de viciar jovens e de não proteger adequadamente usuários menores de idade contra exploração sexual.

A ação foi movida pelo procurador-geral Raúl Torrez e integra uma onda crescente de ações semelhantes no país, que responsabilizam empresas de tecnologia por danos associados ao uso de redes sociais. Se condenada, a empresa pode ter que fazer mudanças radicais no Facebook, Instagram e WhatsApp.

A segunda etapa dá continuidade a uma decisão anterior, de março, quando um júri concluiu que a Meta violou leis de proteção ao consumidor ao apresentar informações enganosas sobre a segurança de jovens em suas plataformas. Na ocasião, a companhia foi condenada a pagar US$ 375 milhões. O Olhar Digital deu os detalhes aqui.

Agora, o tribunal avaliará se as práticas da Meta configuram um “incômodo público”, conceito jurídico que pode permitir a imposição de medidas amplas para mitigar danos coletivos. Caso o juiz concorde com esse entendimento, a empresa poderá ser obrigada a implementar mudanças estruturais em seus serviços no estado.

Entre as possíveis exigências estão a adoção de mecanismos de verificação de idade, ajustes nos algoritmos para priorizar conteúdos mais adequados para menores e a remoção de funcionalidades como rolagem infinita e reprodução automática para esse público. O governo estadual também pretende buscar indenizações adicionais que podem chegar a bilhões de dólares.

Torrez afirmou que espera que o processo vá além do impacto local. Segundo ele, o objetivo é que o caso “estabeleça um novo padrão, não apenas no estado do Novo México, mas nacionalmente e potencialmente globalmente, para um novo conjunto de expectativas sobre como as empresas de mídia social devem se comportar”.

Ícones de algumas redes socais em um celular
Júri do Novo México pode obrigar a Meta a fazer mudanças operacionais em seus serviços – Imagem: miss.cabul/Shutterstock

Meta nega viciar jovens e culpa redes sociais como um todo

A Meta afirma que já implementou diversas medidas voltadas à segurança de usuários jovens e contesta as acusações.

Em documentos apresentados à Justiça vistos pela Reuters, a empresa sustenta que não há evidências científicas que comprovem uma relação direta entre redes sociais e problemas de saúde mental. Também argumenta que parte das mudanças solicitadas seria inviável e poderia levar à retirada completa de seus serviços do estado.

“O foco do Procurador-Geral do Novo México em uma única plataforma é uma estratégia equivocada que ignora as centenas de outros aplicativos que os adolescentes usam diariamente”, disse um porta-voz.

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Fonte: Olhar Digital