A EUCARISTIA É O CORPO DO SENHOR: UMA MENSAGEM DE FREI DOUGLAS XAVIER A QUEM COMUNGA PELA I VEZ
Na linguagem o verbo "ser" costuma atuar como uma ponte lógica entre sujeito e predicado. No entanto, no Cenáculo, Jesus opera uma transformaçãometafísica da linguagem. Quando Ele profere "Isto é o meu corpo", o "é" deixa de ser uma mera cópia descritiva ou uma metáfora poética para tornar-se um ato criador, como no Genesis, o "faça-se" de Deus que criou tudo.
No milagre da transubstanciação, a razão encontra seu limite e sua plenitude: a substância do pão cede lugar à substância do Verbo, enquanto o gosto, forma, cheiro permanecem como véus sacramentais. Aqui, a fé não anula a lógica, mas a eleva para a "razão do Amor", onde o Ser não apenas existe, mas se entrega. Cantamos: “vem a fé por suplemento, os sentidos completar!”. O "é" de Cristo é o ponto de convergência entre o Verbo eterno e a matéria finita, transformando a Missa em um evento existencial real.
Por isso, meu querido irmão, Domingo o infinito fez morada em ti. Lembra-te de que este "pedacinho de pão" que recebeste não é uma lembrança de algo que passou, mas a presença viva dAquele que sustenta as estrelas no céu. Ao dizer "Amém", você concorda com o maior mistério do universo. Guarda esse tesouro com o carinho de quem carrega um segredo precioso, como fez S. Tarcisio: Jesus não está apenas "contigo", Ele agora pulsa em teu sangue e pensa em teus pensamentos, e quer agir em tuas atitudes.
Que a beleza deste encontro nunca se torne rotina, mas seja a força que te faz caminhar com os pés no chão e o coração já no Céu.
A Eucaristia é o "ser-é" da Igreja; sem ela, a comunidade de fé dissolve-se em mera associação humana. A mistagogia cristã nos ensina que o corpo de Cristo que adoramos no altar deve ser o mesmo corpo que servimos no irmão. A transubstanciação do pão exige, como consequência, a transfiguração da vida:
O cristão que comunga torna-se, ele próprio, "eucarístico".
A adoração silenciosa diante do ostensório é a sístole necessária, mas a ação no mundo, a justiça e a caridade são a diástole que espalha o sangue redentor pelo corpo social (sístole e diástole são o movimento do coração que se contrai e se expande garantido a vida pela circulação do sangue, ou seja, não só a adoração mas também é necessária a ação).
Não se consome o Cristo para retê-lo! Mas para ser consumido por Ele, tornando-se pão partido para a fome do próximo. Se o "é" da Missa não se traduzir no "é" da nossa existência cotidiana, não abrimos o coração para a obra do sacramento em nós.
PAZ E BEM!










