A Praça Universitária, em Goiânia, se transformou neste domingo em cenário de uma grande manifestação popular. Segundo estimativas da organização, cerca de 50 mil pessoas ocuparam o espaço com bandeiras, cartazes e tambores para protestar contra a chamada PEC da Blindagem e rejeitar qualquer tentativa de anistia a envolvidos em atos antidemocráticos.

O vereador Fabrício Rosa (PT), um dos articuladores, ressaltou a relevância histórica do ato e em entrevista para a Câmara Municipal de Goiânia falou:

“Goiânia deu hoje uma resposta firme. Esta praça, tomada pela militância progressista, mostra que não há espaço para impunidade. O povo disse não à anistia e não à PEC da Bandidagem. Foi um momento decisivo para conter avanços da extrema-direita e para reafirmar que Goiânia não é a cidade conservadora que querem rotular”, afirmou.

 

O protesto evidenciou a capacidade de mobilização social e o alinhamento da capital goiana às lutas nacionais. A cor vermelha foi a escolhida com estampas com frases, bandeiras,  faixas, em contraste com o verde e amarelo do Brasil, trazendo mensagens como “Brasil é dos brasileiros” e “Brasil soberano”. No palco, discursos de lideranças políticas, representantes de movimentos sociais e apresentações de artistas locais — como Maíra Lemos, Beaju, Laércio Correntina, Gilberto Correia e Xexéu — deram o tom da programação. Famílias inteiras, incluindo muitas crianças, reforçaram o caráter plural e democrático do evento.

 

 

Além de Rosa, também marcaram presença e fizeram falas a deputada federal Adriana Accorsi (PT), Kátia Maria (PT) e o vereador de Aparecida de Goiânia Tales de Castro (PSB). Figuras históricas da esquerda goiana, como o ex-prefeito Pedro Wilson (PT) e o professor Pantaleão (UP), circularam entre os manifestantes. As reitoras das três maiores instituições de ensino superior da capital — Angelita Pereira (UFG), Oneida Irigon (IFG) e Olga Izilda Ronchi (PUC Goiás) — prestigiaram a mobilização. Ao comentar sua participação, a professora Olga declarou: “Eu não poderia estar em outro lugar hoje.”

 

No fim da tarde, por volta das 18h, os participantes seguiram em passeata pela Avenida Universitária até a Praça Cívica. O ato terminou com novas apresentações culturais e a execução do Hino Nacional, simbolizando resistência e defesa do Estado Democrático de Direito.

 

Agressão após o ato

 

Um grupo de estudantes foram agredidos verbal e fisicamente após deixar a manifestação. Um casal teria atacado os jovens com ofensas homofóbicas antes de partir para a violência, o fato foi informado pelo vereador Fabrício Rosa.

A assessoria do parlamentar declarou que está acompanhando o caso, oferecendo apoio às vítimas e acionando os órgãos responsáveis para garantir investigação e responsabilização dos agressores, que podem responder por injúria, lesão corporal e violência política.

 

O episódio não diminuiu o simbolismo do dia, que reafirmou o compromisso da sociedade goianiense com a democracia, a justiça e a rejeição a qualquer forma de violência e impunidade.