Da Redação
O número de processos por alienação parental em Goiás segue em trajetória de crescimento e já supera a média de um novo caso por dia em 2025. Dados do Conselho Nacional de Justiça revelam que 388 ações foram registradas ao longo do ano, consolidando uma alta expressiva em relação aos períodos anteriores.
Na comparação com 2024, quando houve 299 registros, o aumento foi de quase 30%. Já em relação a 2020, o avanço é ainda mais significativo: naquele ano, foram 172 processos, o que representa um crescimento superior a 125% em cinco anos. Na prática, isso significa que o estado passou a lidar com uma média aproximada de 1,06 nova ação por dia.
A alienação parental ocorre quando um dos responsáveis interfere na formação psicológica da criança ou adolescente para prejudicar o vínculo com o outro genitor. O tema ganha ainda mais visibilidade em datas como o Dia Internacional de Combate à Alienação Parental, celebrado em 25 de abril, que reforça a necessidade de conscientização sobre os impactos dessa prática.
Especialistas avaliam que o aumento dos números não está ligado apenas à ampliação dos conflitos familiares, mas também a uma maior percepção sobre o problema. Situações antes tratadas como desentendimentos comuns passaram a ser reconhecidas como possíveis casos de alienação, o que leva mais pessoas a buscarem o Judiciário.
Apesar do crescimento, os dados ainda não refletem totalmente a realidade. A subnotificação continua sendo um desafio, influenciada por fatores culturais, custos elevados com acompanhamento jurídico e psicológico, além de inseguranças quanto ao reconhecimento da prática nos tribunais.
No Brasil, o tema é regulamentado pela Lei nº 12.318/2010, que prevê medidas para coibir a alienação parental. As sanções vão desde advertências e multas até a ampliação da convivência com o genitor afastado e, em situações mais graves, a mudança da guarda.
Além disso, o CNJ passou a adotar diretrizes mais específicas para a escuta de crianças e adolescentes nesses processos, buscando tornar os depoimentos mais seguros e reduzir impactos emocionais.
Para especialistas, embora a judicialização seja muitas vezes inevitável, o foco deve permanecer na proteção dos filhos. A alienação parental é considerada uma forma de violência psicológica e pode gerar consequências profundas no desenvolvimento emocional das crianças, exigindo atenção contínua do poder público e da sociedade.





