Da Redação
Candidato a deputado federal declarou em 2024 ter concluído Direito, mas PUC Goiás informou que ainda faltavam 200 horas de atividades complementares; cadastro eleitoral de 2026 mantém escolaridade como superior incompleto
Quase dois anos depois da controvérsia envolvendo sua formação acadêmica, Fred Rodrigues (PL) continua registrado na Justiça Eleitoral como candidato com ensino superior incompleto. O político, que disputa uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026, ainda aparece com esse grau de escolaridade em seu cadastro eleitoral.
A informação retoma uma polêmica ocorrida durante as eleições municipais de 2024, quando Fred concorreu à Prefeitura de Goiânia. Naquele ano, o então candidato informou inicialmente à Justiça Eleitoral possuir ensino superior completo e também declarou publicamente que havia concluído o curso de Direito.
A versão, entretanto, foi contestada após a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) apresentar informações oficiais sobre a situação acadêmica do político.
Segundo a instituição, Fred Rodrigues não havia concluído integralmente a graduação em Direito, não tinha realizado a colação de grau e também não possuía diploma expedido pela universidade. Para finalizar o curso, ainda era necessário cumprir 200 horas de atividades complementares obrigatórias.
Informação foi corrigida durante eleição de 2024
Depois que a situação acadêmica veio a público, a informação apresentada no registro da candidatura de Fred Rodrigues em 2024 foi alterada. O grau de instrução passou de ensino superior completo para superior incompleto. A Justiça Eleitoral autorizou a correção após solicitação da equipe jurídica do então candidato.
Na época, Fred explicou que havia terminado todas as disciplinas previstas no curso e também concluído a monografia. Segundo ele, permaneciam pendentes apenas as atividades complementares necessárias para integralização da graduação e a posterior colação de grau.
A PUC Goiás, por sua vez, informou que Fred ingressou no curso de Direito no segundo semestre de 2004, após transferência de outra instituição. O cadastro acadêmico estava desativado desde 2013. A universidade também declarou que nunca havia expedido diploma de Direito em nome dele e que o então candidato não havia colado grau na instituição.
Cadastro de 2026 continua indicando superior incompleto
Agora, com Fred novamente candidato, desta vez a deputado federal, a informação apresentada à Justiça Eleitoral continua sendo de ensino superior incompleto.
O registro indica, portanto, que a situação acadêmica oficialmente declarada pelo candidato permanece diferente daquela apresentada inicialmente durante a disputa eleitoral de 2024, quando ele chegou a informar que possuía formação superior completa.
A ausência de diploma universitário, por si só, não impede uma candidatura. A legislação eleitoral brasileira não estabelece a conclusão de um curso superior como requisito para que uma pessoa dispute cargos eletivos.
A controvérsia está relacionada principalmente à divergência entre a formação inicialmente declarada por Fred Rodrigues em 2024 e as informações posteriormente fornecidas pela PUC Goiás, que levaram à correção do cadastro eleitoral.
Durante a campanha municipal, o episódio também provocou repercussões políticas e questionamentos sobre cargos anteriormente ocupados por Fred. Naquele período, a Assembleia Legislativa de Goiás chegou a abrir uma sindicância para analisar sua nomeação para uma função de direção que exigia formação superior.
Com o novo registro eleitoral de 2026 mantendo a escolaridade como superior incompleto, a discussão sobre a formação acadêmica do candidato voltou ao debate político.
Procurado pelo Jornal Opção para comentar se concluiu a graduação desde a controvérsia de 2024 e esclarecer sua atual situação acadêmica, Fred Rodrigues não havia respondido até a publicação da reportagem original.








