Da redação 

Um caso de feminicídio registrado na divisa entre Goiás e Mato Grosso terminou com a prisão rápida do principal suspeito, ainda na madrugada seguinte ao crime. O empresário Rogério Henrique Cavalcante foi detido após ser acusado de matar a ex-companheira, a empresária Lidiane de Fátima Vilela, de 42 anos.

O crime aconteceu na noite de sexta-feira (17), em uma fazenda localizada no município de Baliza. De acordo com as informações da polícia, a vítima foi atingida por um disparo no peito e morreu ainda no local.  

Disparo ouvido por testemunhas e fuga imediata

Funcionários que estavam em uma residência próxima relataram ter ouvido o barulho do tiro e acionaram a Polícia Militar. Segundo os relatos, logo após o crime, o suspeito deixou o local dirigindo uma caminhonete semelhante à que costumava utilizar.  

As primeiras diligências já indicavam que o autor poderia tentar atravessar a divisa estadual, o que mobilizou forças de segurança também no Mato Grosso.

Prisão ocorreu poucas horas depois, já em outro estado

Com apoio das forças policiais dos dois estados, o veículo foi localizado na rodovia MT-100, nas proximidades de Torixoréu. O empresário foi encontrado dentro do carro, dormindo, e acabou preso no sábado (18), poucas horas após o feminicídio.  

Durante a abordagem, ele confessou o crime às autoridades, o que reforçou os indícios já reunidos desde o momento da fuga.

Relacionamento recente e possível motivação

Segundo as investigações iniciais, o casal estava separado havia cerca de dois meses, mas o suspeito não aceitava o fim da relação. A principal linha de apuração aponta que o crime pode ter sido motivado pela recusa da vítima em reatar o relacionamento.  

Além do vínculo pessoal, os dois também mantinham uma relação profissional: eram sócios em negócios ligados ao comércio, o que aumentava a proximidade entre eles mesmo após a separação.

Vítima era empresária conhecida na região

Lidiane era proprietária de lojas de acessórios country em cidades da região, incluindo Baliza, Barra do Garças, Bom Jardim de Goiás e Torixoréu. A morte gerou forte comoção entre amigos, clientes e moradores locais, que se manifestaram nas redes sociais pedindo justiça.  

Mensagens destacavam a personalidade da empresária, descrita como alegre, trabalhadora e muito conhecida no meio comercial.

Crescimento de casos preocupa autoridades

Com esse crime, Goiás chega a pelo menos 26 mulheres assassinadas em 2026, sendo que parte significativa dos casos é classificada como feminicídio. Só nas primeiras semanas de abril, quatro ocorrências já haviam sido registradas no estado, acendendo um alerta para o aumento da violência contra mulheres.  

O caso segue sob investigação, e o suspeito deve responder por feminicídio, crime que prevê penas mais severas quando o homicídio ocorre em contexto de violência doméstica ou por razões de gênero.