Da Redação 

 

Preso no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro, o empresário Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, foi transferido para a Casa de Prisão Provisória (CPP) de Aparecida de Goiânia e passou a cumprir custódia em um setor específico da unidade, destinado a detentos com grande visibilidade pública.

 

A transferência ocorreu na última sexta-feira (17), após ele permanecer por dois dias sob responsabilidade da Polícia Federal, desde a prisão realizada durante a Operação Narco Fluxo. A ação investiga um suposto esquema que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de estratégias de ocultação de recursos ilícitos.  

 

Na CPP, Raphael foi encaminhado ao Núcleo Especial de Custódia, espaço utilizado para abrigar presos considerados “midiáticos” ou que exigem maior atenção por questões de segurança e repercussão. Apesar da ala diferenciada, a administração penitenciária afirma que ele segue a mesma rotina aplicada aos demais internos.

 

Entre os direitos garantidos estão quatro refeições diárias — café da manhã, almoço, jantar e ceia — além de duas horas de banho de sol por dia. A alimentação, segundo a direção, é padronizada e igual à oferecida a outros detentos e até servidores do complexo prisional.  

 

As autoridades não informaram se o investigado está em cela individual ou compartilhada. A permanência no núcleo especial, no entanto, indica uma tentativa de evitar riscos, já que presos com grande exposição pública costumam demandar protocolos diferenciados dentro do sistema prisional.

 

A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada no dia seguinte à detenção. O Judiciário entendeu que a liberdade do empresário poderia prejudicar o andamento das investigações. Ainda conforme a decisão, a influência digital exercida por ele teria sido utilizada como ferramenta para dar aparência de legitimidade a pessoas e atividades ligadas ao esquema investigado.  

 

Em nota, a defesa sustenta que Raphael não integra organização criminosa e que sua atuação sempre se limitou à prestação de serviços publicitários. Os advogados afirmam que os valores recebidos são oriundos de atividades legais de marketing e publicidade digital, exercidas regularmente ao longo dos anos.  

 

A Operação Narco Fluxo, que levou à prisão do empresário, é um desdobramento de investigações anteriores e cumpre dezenas de mandados em diversos estados. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava uma estrutura complexa que envolvia artistas, movimentações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptoativos para disfarçar a origem dos recursos.  

 

O caso segue em apuração e deve avançar nas próximas semanas com a análise de provas e depoimentos colhidos durante a operação.