O diretor-executivo do Escritório da ONU de Serviços para Projetos, Unops, Jorge Moreira da Silva, alertou que as interrupções no tráfego do Estreito de Ormuz têm o potencial de desencadear uma crise humanitária de longo alcance.
Em rede social, o representante enfatizou a urgência de adotar medidas para mitigar os impactos de uma iminente crise global de fertilizantes, que ameaça de forma desproporcional as populações mais vulneráveis. Ele sublinhou de forma particular os países em desenvolvimento da África e da Ásia.
Risco à segurança alimentar global
O Unops alerta que a falta global de fertilizantes já é uma realidade próxima, exigindo liderança e mobilização para evitar os piores cenários e apoiar as nações mais frágeis.

Já a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, alertou que a retenção de insumos essenciais para a fabricação de fertilizantes na região do Golfo pode gerar um perigoso efeito cascata para os agricultores de todo o mundo.
O Estreito de Ormuz é a rota de escoamento de quase um terço dos fertilizantes globais, cuja produção depende do gás natural abundante na região. Países que fabricam os próprios adubos dependem da importação de gás do Oriente Médio.
A FAO prevê que o mundo enfrentará o encarecimento drástico dos alimentos e graves dificuldades econômicas nas próximas semanas, se não houver uma resolução rápida para a crise e para as tensões militares no estreito.
Impasse diplomático no Conselho de Segurança
A urgência da situação leva a Assembleia Geral da ONU a se reunir nesta quinta-feira, após um impasse na semana passada no Conselho de Segurança. Os 15 Estados-membros do órgão não aprovaram uma resolução que visava reforçar a segurança no Estreito de Ormuz.
O projeto, apresentado pelo Bahrein, obteve 11 votos favoráveis e abstenções da Colômbia e do Paquistão, mas recebeu o veto da China e da Rússia. A medida propunha coordenar esforços para garantir a segurança da navegação nesta via marítima estratégica.

A proposta incluía o uso de escoltas para embarcações comerciais, além de determinar que o Irã interrompesse imediatamente os ataques a navios e qualquer tentativa de bloqueio ao trânsito na região.
Escalada humanitária no Líbano e na Síria
Enquanto a ameaça econômica global cresce, a crise humanitária no terreno agrava-se em ritmo acelerado, segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur.
Apenas no Líbano, os reflexos do conflito já resultaram em mais de 2 mil mortes e 1,2 milhão de deslocados, o equivalente a um quinto da população do país.
As necessidades crescem diariamente desde o início de março. Atualmente, mais de 140 mil pessoas abrigam-se em 684 instalações coletivas designadas pelo governo libanês, quase todas operando na capacidade máxima.
Este cenário forçou uma nova rota de fuga, com sírios que haviam buscado refúgio no Líbano sendo obrigados a fugir novamente. Mais de 280 mil pessoas já cruzaram as três fronteiras oficiais rumo à Síria desde o dia 2 de março, incluindo aproximadamente 238 mil sírios e 44 mil libaneses.
Colapso da Saúde e apelo pela paz
Ações militares entre o Exército israelense e os combatentes do Hezbollah continuam a fazer vítimas e a destruir a infraestrutura civil.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, advertiu que a continuidade da violência restringirá ainda mais o acesso a cuidados médicos essenciais, aprofundando traumas que perdurarão por gerações.





