O ambiente corporativo moderno, marcado por horas de digitação e o uso incessante de smartphones, tornou-se o cenário principal para o surgimento das LER/DORT – Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho. Longe de serem apenas "dores passageiras", essas condições resultam de uma sobrecarga mecânica contínua.
Segundo dados do Ministério da Saúde, os casos relacionados às doenças aumentaram 20% nos últimos cinco anos, afetando principalmente trabalhadores dos setores de tecnologia, indústria e serviços. Estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros sofrem de LER/Dort. As doenças são a segunda maior causa de afastamento do trabalho no Brasil, perdendo apenas para os acidentes de trânsito.
Atualmente, com o uso contínuo dos smartphones, seja em ambiente profissional ou não, também tem gerado lesões no pescoço, coluna cervical, dores de cabeça e até hérnia de disco. O problema já ganhou nome: “whatsappinite”, um tipo de inflamação nos tendões ocasionada por movimentos repetitivos.
*Dores no pescoço*
É comum o usuário inclinar o pescoço para baixo quando está mexendo no celular. E quem passa o dia enviando mensagens, checando redes sociais, portais de notícias e lendo e-mails no aparelho pode estar pressionando demasiadamente a coluna cervical e afetando a postura.
Em posição neutra, a cabeça de uma pessoa adulta pesa entre 4,5 kg e 5,4 kg. Quando inclinada para baixo, o pescoço passa a sustentar um peso maior. Segundo um estudo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Regional Minas Gerais, a força exercida no pescoço de um adulto quando ele está olhando para baixo, pode chegar a 27 quilos. É como se ele estivesse carregando uma criança de 8 anos em volta do pescoço. 4 horas por dia. Além de dores no pescoço, a posição pode causar dores de cabeça, e até hérnia de disco.
A dor começa discreta. Um incômodo no punho ao digitar, um formigamento nos dedos no fim do expediente, um peso nos ombros que parece “normal” depois de um dia intenso. Com o tempo, o desconforto se repete, ganha força, demora a passar e transforma tarefas simples em desafios diários. Para muitos trabalhadores, esses sinais acabam sendo ignorados — até que o corpo impõe limites.
As LER/Dort representam um grave problema de saúde pública no Brasil, com impactos significativos na vida dos trabalhadores e na economia do país. O ortopedista Gabriel Rebello,que atende no Órion Complex, explica que a doença não é causada por um único fator, mas é resultado de sobrecarga mecânica repetitiva associada a erro de ergonomia.
“As lesões podem causar dores crônicas, inflamações, perda de força e mobilidade, afetando a qualidade de vida e a capacidade de trabalho. Em casos mais graves, as lesões podem levar à incapacidade permanente, impossibilitando o trabalhador de exercer suas funções e até mesmo de realizar atividades cotidianas”, acrescenta.
Os distúrbios mais frequentes são as tendinites (principalmente na região do ombro, cotovelo e punho), as lombalgias (ou seja, dores na região lombar) e as mialgias (dores musculares em vários locais do corpo).
As principais causas são: movimentos repetitivos por longos períodos, postura inadequada e sustentada, força excessiva nas mãos e punhos, falta de pausas, estresse e tensão muscular contínua, estação de trabalho mal ajustada, uso prolongado de computador e celular sem variação de posição e baixo condicionamento muscular.
Gabriel Rebello destaca cinco cuidados no escritório para evitar a doença.
1- A cadeira deve ter apoio lombar
2 – Ao sentar, os pés devem ficar apoiados no chão;
3 – O monitor precisa estar na altura dos olhos;
4 – O teclado e mouse devem estar na altura dos cotovelos – os punhos devem ficar neutros, sem dobra excessiva, em apoiar na borda rígida da mesa. “Digite sem usar força excessiva", acrescenta.
5- Vai usar o celular? Ele deve ser posicionado na altura dos olhos – nada de colocar o celular na altura do peito e dobrar o pescoço;
O médico alerta ainda para a importância de se fazer pausas regulares a cada 40–60 minutos para alongar mãos, punhos, ombros e coluna. “Micro-pausas reduzem a fadiga muscular acumulada”, diz. Ele também recomenda alternar tarefas e posições para evitar longos períodos na mesma postura. “Intercale digitação, leitura, reuniões e atividades em pé quando possível”, complementa. Outra medida para se prevenir a doença é o fortalecimento e alongamento muscular. "Mantenha uma rotina de exercícios para ombros, antebraços, mãos e coluna. Músculo condicionado tolera melhor carga repetitiva”, diz.







