
O município de Aragoiânia se prepara para realizar, no dia 8 de março de 2026, a Reza do Galho, tradicional celebração religiosa em louvor a São Sebastião, popularmente conhecida como a Festa do Doce. O evento acontecerá na Chacrinha do Coalhada e Maria de Lourdes, na região do Dourados do Meio, reunindo moradores, devotos e visitantes em um momento marcado pela fé, pela partilha e pela preservação das tradições culturais.
Reconhecida por unir religiosidade e confraternização comunitária, a Festa do Doce é uma das manifestações mais representativas da cultura local. A programação tem como ponto central a Reza do Galho, seguida da tradicional partilha de doces artesanais, preparados pelas famílias da comunidade, fortalecendo os laços de solidariedade, convivência e identidade social.
Organizada pelos festeiros Coalhada e Maria de Lourdes, a celebração mantém viva uma tradição iniciada em 1952 e transmitida ao longo das gerações. A festa reafirma a devoção a São Sebastião, considerado símbolo de proteção e fé para o povo da região, além de se consolidar como um importante encontro comunitário que valoriza os costumes e a história do município.
Aberta ao público, a Reza do Galho é um momento de oração, agradecimento e celebração coletiva, reforçando o compromisso da comunidade com a preservação de um patrimônio cultural que atravessa décadas.
Festa do Galho é Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás
A importância histórica e cultural da celebração foi oficialmente reconhecida com a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), do Projeto de Lei que declara a Festa do Galho Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás. Realizada anualmente em Aragoiânia, a festividade carrega mais de sete décadas de fé, tradição e resistência cultural.
A origem da Festa do Galho remonta a 1952, quando uma forte seca atingiu a região, provocando escassez de água e alimentos. Diante da situação, os moradores recorreram à fé e ergueram uma cruz próxima a uma nascente, acreditando que a devoção poderia trazer de volta a chuva. A partir desse gesto, teve início a reza do terço em louvor a São Sebastião, santo tradicionalmente associado à proteção contra a fome, a peste e a seca.
No início, as orações eram realizadas a cada oito dias, com os fiéis se deslocando até a cruz, onde flores eram depositadas e regadas com água em um ato simbólico de esperança. Com o passar dos anos, consolidou-se a tradição de escolher um casal para conduzir a próxima reza, por meio da entrega de uma flor amarela a uma mulher e uma flor azul a um homem — costume preservado até os dias atuais.
Com a volta das chuvas e a superação do período de estiagem, as celebrações passaram a ocorrer mensalmente, culminando na construção de uma capela dedicada a São Sebastião. Atualmente, a Reza do Galho é realizada sempre no segundo domingo de março, mantendo vivos os rituais e a devoção herdados das gerações anteriores.
Como forma de agradecimento pelas graças alcançadas, surgiu a Festa do Galho, ou Festa do Doce, símbolo de partilha, gratidão e união. O evento reúne, a cada edição, cerca de 2 mil pessoas e promove a distribuição de aproximadamente 1.300 quilos de doces artesanais, preparados de maneira tradicional.
O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial de Goiás reforça o valor histórico, religioso e social da Festa do Galho, garantindo a preservação dessa manifestação de fé e identidade cultural do povo aragoianiense para as futuras gerações.