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O testamento

“Aos doze do mês de novembro de mil setecentos e setenta anos e neste sítio de Macaúbas, eu, Francisca da Silva de Oliveira, andando de saúde natural e em meu perfeito juízo e conhecimento, porém temendo a morte como a todas as criaturas e não sabendo a hora em que Deus Nosso Senhor será servido chamar-me para, e desejando claramente dispor dos bens, evitar qualquer prejuízo que possa sobrar a todos ou algum dos meus herdeiros, pedi e roguei a Francisco José de Sales que este meu testamento e última vontade escrevesse e a meu rogo assinou, o qual faço na forma e maneira seguinte.”

O documento foi registrado em papel feito em tramas de linho e algodão (Crédito: Gláucia Rodrigues)
Com essas palavras, Chica da Silva inicia seu testamento, escrito em 12 de novembro de 1770, no Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição de Monte Alegre de Macaúbas, em Santa Luzia, região central de Minas Gerais. O documento, em quatro folhas de papel feito em tramas de linho e algodão, foi lavrado e “cerrado com cinco pontos de linha vermelha e outros tantos pingos de lacre da mesma”, sendo reaberto quase 26 anos depois, com a morte dela, em 15 de fevereiro de 1796, no Arraial do Tejuco.
“Em primeiro lugar, encomendo e entrego a minha Alma à Santíssima Trindade que a criou, a Jesus Cristo que a remiu com seu precioso Sangue, ao Santo do meu nome, ao Anjo da minha guarda e a todos os Santos e Santas da Corte do Céu a quem invoco e clamo por meus interesses e advogados protestando que cumprisse na Santa Fé e Lei e que ensina a Igreja Católica Romana, nossa Mãe, e que nela espero morrer e salvar-me como verdadeira e fiel Cristã.”

O testamento foi reaberto com a morte de Chica da Silva, em 15 de fevereiro de 1796 (Crédito: Gláucia Rodrigues)





