'Por:João Luiz – Comunicador e Consultor político

A morte pela manhã de 21 de abril, do papa Francisco deixou sem dúvidas, um rastro de dor e saudade para bilhões de pessoas ao redor do mundo, sejam fiéis católicos ou quaisquer outros homens e mulheres de boa vontade, que se sentiram tocados pelos seus ensinamentos. Vindo de origens humildes de família de imigrantes italianos, Jorge Mário Bergoglio sem dúvidas, ao dizer em uma homilia que “a fumaça de Satanás entrou na igreja”, referia-se às disputas internas e ao espírito de mundanidade que se apoderou da igreja, parece que trouxe um “frescor divino à instituição milenar.

Com seu funeral marcado para este sábado próximo às 5h do horário de Brasília (10h no Vaticano), segue com o velório de seu corpo, arrastando uma gigantesca fila de milhares de pessoas.

   No dia 13 de março de 2014, quando foi eleito papa pelos cardeais reunidos no conclave, esteve acompanhado de um amigo brasileiro, o cardeal franciscano, bispo emérito de São Paulo Dom Cláudio Hummes, que lhe disse nos corredores após Bergoglio ser eleito: “não se esqueça dos pobres!” O papa recém eleito não teve outra dúvida e se deu como nome eclesiástico “Francisco”, justamente inspirado em São Francisco de Assis, o santo que deixou as riquezas para se entregar unicamente ao evangelho e trilhar um caminho de simplicidade e serviço aos mais pobres.

   É bom lembrar como Hidrolândia é banhada pela espiritualidade franciscana por completo. Os frades capuchinhos que pertencem à Família Franciscana, administram a paróquia Santo Antônio das Grimpas a décadas, contam com um espaço para eventos e retiros que fica mais afastado da cidade e que já foi uma espécie de educandário para jovens.

Também as irmãs franciscanas de Maria Imaculada tem sua presença em uma das periferias da cidade, atuando em toda a paróquia, principalmente na comunidade Nossa Senhora Aparecida que fica nas proximidades de sua casa.

No pequeno distrito de Nova Fátima que praticamente foi fundada por um missionário franciscano-capuchinho, o sacerdote gaúcho frei Adriano Luiz Piccoli, que empresta o nome para uma rua e o Centro Pastoral anexo à igreja Nossa Senhora de Fátima que pertence à paróquia de Hidrolândia, lá a mais de vinte anos um grupo de cerca de 15 leigos em média, se reúne todos os meses para rezarem e refletirem a vida do “Pobre de Assis”. Por serem leigos, são homens e mulheres, pais e mães de família que ficaram muito felizes quando o cardeal argentino, escolheu para si o nome do patrono da ecologia  dos mais pobres.

Mesmo sendo jesuíta, para todos esses que seguem os passos de São Francisco de Assis, o papa do “fim do mundo”é considerado como um deles, um franciscano também, afinal de contas, é uma espiritualidade um modo de ser.

   Há um relato nas “Fonte Franciscanas” de que após se encontrar com São Francisco e seus irmãos e recusar sua aprovação a eles, o papa Inocêncio III teria tido uma visão em sonho, em que basílica de Latrão estavam se demolindo, mas um pequeno um pobrezinho segurava em seus ombros as colunas para que ela não ruísse. Sem dúvidas o Francisco de hoje, também segurou com firmeza, as colunas de uma igreja que parecia ir ao chão e com a força de Deus, deu sobrevida a mesma, deixando um legado forte de três pilares que ele mesmo dizia: “proximidade, ternura e compaixão.”