Segundo os relatos, o veículo seria visto no local diariamente e permaneceria estacionado durante determinado período.

A população quer saber se se trata de uma pausa para alimentação da equipe, se existe algum acordo ou procedimento operacional para que a equipe faça a refeição naquele estabelecimento e, principalmente, como fica a disponibilidade da ambulância para atender uma eventual ocorrência durante esse período.


O assunto deve gerar debate justamente porque envolve um serviço essencial. Moradores que tenham dúvidas ou que se sintam prejudicados podem recorrer aos canais oficiais de Ouvidoria do município, para registrar formalmente suas reclamações e solicitar esclarecimentos.


A orientação da própria secretária municipal de Saúde, já repassada anteriormente à reportagem, foi de que reclamações feitas pela internet devem ser encaminhadas à Ouvidoria, e não tratadas diretamente pela Secretaria por meio das redes sociais. Ou seja não vão responder à nossa equipe.


Dessa forma, o Hidrolândia News registra a reclamação apresentada pelos moradores e deixa o espaço aberto caso os órgãos competentes tenham interesse em prestar esclarecimentos públicos sobre o caso.


A pergunta que fica é simples: o que explica a presença recorrente da ambulância do SAMU no mesmo estabelecimento, sempre no mesmo período?

O que dizem as normas sobre a disponibilidade da ambulância


A utilização de uma ambulância do SAMU para uma parada durante o plantão levanta uma questão que vai além da presença do veículo em um estabelecimento comercial: a unidade permanece disponível para atender uma ocorrência durante esse período?


A Portaria nº 49/2025 da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás estabelece regras para garantir a disponibilidade das unidades móveis do SAMU. A norma considera que todas as unidades móveis devem permanecer disponíveis e de prontidão para atendimentos de urgência e emergência da população de sua área de abrangência.
O texto também alerta que a indisponibilização de uma unidade móvel pode comprometer a resposta do atendimento pré-hospitalar e aumentar o risco de desassistência à população.


No âmbito nacional, a Resolução CFM nº 2.110/2014, que regulamenta o funcionamento dos serviços pré-hospitalares móveis de urgência e emergência, estabelece que o SAMU tem como finalidade chegar precocemente às vítimas após um agravo à saúde, mediante acionamento por uma Central de Regulação Médica das Urgências.


Isso não significa, por si só, que uma equipe do SAMU esteja proibida de fazer uma pausa para alimentação. A questão central é saber se existe um procedimento operacional que autorize essa parada, onde ela deve ocorrer e, principalmente, se a ambulância continua disponível para ser acionada pela Central de Regulação durante esse período.


O próprio Governo de Goiás mantém normas específicas para a gestão de veículos oficiais.

O Decreto Estadual nº 9.541/2019 regulamenta a gestão dos veículos utilizados pelo Poder Executivo estadual, enquanto a Secretaria de Administração mantém normas complementares para utilização da frota oficial.


Além disso, a Lei de Improbidade Administrativa prevê, em determinadas circunstâncias e mediante comprovação dos requisitos legais, responsabilização por utilização de bens públicos em benefício particular.

O enquadramento, porém, depende da apuração concreta dos fatos e não pode ser presumido apenas pela presença do veículo em um estabelecimento.


Por isso, algumas perguntas permanecem sem resposta:
Existe autorização ou protocolo para que a equipe faça refeições naquele estabelecimento?
Durante a permanência no local, a ambulância permanece em condição de pronta resposta?
A Central de Regulação sabe onde a unidade está durante esse período?
Há registro dos horários de entrada e saída da ambulância e das equipes?


Existe orientação municipal ou regional específica sobre o local destinado à alimentação das equipes do SAMU?


São essas informações que podem esclarecer se a situação observada pelos moradores corresponde a uma rotina operacional prevista ou se há algum procedimento que precisa ser explicado pelos responsáveis pelo serviço.