O mercado de terras raras recebeu com surpresa o valor acertado na venda da brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth. Fontes do setor ouvidas pela CNN avaliam que o preço de cerca de US$ 2,8 bilhões chamou atenção por ficar muito acima do que parte do mercado esperava para um ativo ainda em fase de ramp-up, mas, ao mesmo tempo, reforça a percepção de que projetos estratégicos fora da China passaram a ocupar um novo patamar de valor.
A USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) um acordo definitivo para comprar 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás. Leia Mais Espanha vai buscar financiamento da UE para minerais críticos do Brasil Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi Appian anuncia novo CEO de minerais críticos A operação envolve US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de ações novas da companhia americana, o que, com base no preço de fechamento do papel na sexta-feira (17), implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira.
O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais. Na avaliação de interlocutores do mercado, o negócio é positivo para a tese de investimentos em terras raras fora da China porque combina três elementos raros de aparecerem juntos no mesmo ativo: escala, relevância geopolítica e proteção comercial. A leitura é que a transação ajuda a “colocar um piso” mais alto de valor para projetos considerados estratégicos no Ocidente, sobretudo aqueles com potencial de fornecer materiais usados em ímãs permanentes. Essa percepção é reforçada pelo próprio desenho da operação. No comunicado, a USA Rare Earth afirma que a Serra Verde é o único ativo em escala fora da Ásia capaz de produzir os quatro elementos magnéticos mais importantes para a fabricação de ímãs permanentes — neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
A empresa também diz que a produção da Serra Verde deve representar mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027. O acordo inclui ainda pisos de preço para esses minerais, mecanismo visto como um redutor importante de risco em um setor historicamente exposto à volatilidade e à pressão chinesa sobre preços. A surpresa do mercado, portanto, não decorre necessariamente de uma avaliação negativa do negócio, mas do tamanho do prêmio embutido na transação.
Na prática, a leitura de fontes do setor é que a USA Rare Earth pagou caro porque não comprou apenas uma mina em Goiás, mas um ativo considerado central para a tentativa dos Estados Unidos e de aliados de montar, fora da China, uma cadeia integrada de terras raras, separação, metais e ímãs. A Serra Verde iniciou produção comercial em 2024 e, segundo a USA Rare Earth, deve atingir a capacidade nominal da fase 1 até o fim de 2027, com cerca de 6,4 mil toneladas por ano de óxidos totais de terras raras.





