Brasil aparece no grupo de países com menor mobilidade infantil independente do mundo. A constatação vem de pesquisa internacional que mede o quanto as crianças conseguem se locomover sozinhas pelas cidades — um indicador pouco óbvio, mas revelador da saúde urbana.

 

Segundo a análise publicada pela Folha de S.Paulo, a presença de crianças circulando autonomamente pelas ruas reflete muito mais do que permissividade dos pais. Na verdade, sinaliza cidades saudáveis com infraestrutura adequada, segurança real e espaços pensados para todos os públicos.

O que mede a mobilidade infantil

autonomia da criança para se deslocar sozinha funciona como termômetro urbano. Países com alta mobilidade infantil independente costumam ter calçadas bem conservadas, trânsito organizado, transporte público eficiente e baixos índices de criminalidade.

No Brasil, o cenário é o oposto. As crianças ficam confinadas entre casa e carro, sem experimentar a vida urbana de forma autônoma. O resultado são cidades cada vez mais hostis, onde o espaço público se deteriora pela falta de uso diversificado.

 

O caso das capitais nordestinas

Natal e outras capitais nordestinas ilustram bem essa realidade. Apesar do clima favorável e da tradição de vida ao ar livre, essas cidades também restringem a circulação infantil independente. Calçadas irregulares, trânsito desorganizado e questões de segurança afastam as crianças das ruas.

A ironia é que cidades com menos crianças nas ruas tendem a se tornar ainda menos seguras e acolhedoras. É um ciclo que se retroalimenta: quanto menos gente circula, mais os espaços se degradam.

 

A mobilidade infantil independente não é apenas uma questão pedagógica ou de desenvolvimento. É um espelho das nossas escolhas urbanas — e o reflexo não tem sido dos mais animadores.

Com informações da Folha de S.Paulo.