faccionalização do Brasil chegou a níveis alarmantes, mas não por acaso. Segundo o pesquisador americano Benjamin Lessing, professor da Universidade de Chicago, o fenômeno resulta diretamente de escolhas políticas equivocadas ao longo das últimas décadas.

 

Para o acadêmico, que estuda crime organizado na América Latina, o cenário brasileiro se tornou “chocante” pela velocidade com que as facções se expandiram e consolidaram territórios. Diferentemente de outros países da região, o Brasil permitiu que grupos criminosos criassem estruturas quase estatais em diversas regiões.

Como as políticas alimentaram o problema

Lessing aponta que decisões na área de segurança pública contribuíram para fortalecer, em vez de enfraquecer, as organizações criminosas. A falta de estratégia coordenada entre estados criou um ambiente propício para a expansão das facções.

O modelo de combate adotado historicamente no país privilegiou ações pontuais e espetaculosas, mas negligenciou a construção de inteligência de longo prazo. Isso permitiu que grupos como PCC e Comando Vermelho se reorganizassem rapidamente após cada operação.

 

Conexão com o Rio Grande do Norte

O diagnóstico do pesquisador encontra eco no RN, onde facções nacionais disputam território há anos. Natal figura entre as capitais com maior índice de homicídios, reflexo direto dessa guerra por controle de rotas e pontos de venda.

faccionalização Brasil atingiu o estado potiguar com particular intensidade. Grupos locais se aliaram a organizações de outros estados, importando não apenas métodos violentos, mas também estruturas de comando cada vez mais sofisticadas.

 

Segundo a análise de Benjamin Lessing, reverter esse quadro exigirá mudanças estruturais nas políticas de segurança. O caminho passa por estratégias que priorizem inteligência, coordenação entre estados e foco na desarticulação econômica das organizações criminosas.

Com informações da Folha de S.Paulo.