O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, fez uma declaração contundente nesta semana ao afirmar que “Portugal não tem futuro sem imigrantes”. A fala ocorreu durante um evento sobre demografia e economia, e reforça o papel central que a imigração terá no crescimento e sustentabilidade do país nos próximos anos.
Segundo Centeno, o envelhecimento da população portuguesa e a queda na taxa de natalidade colocam o país diante de um desafio urgente: manter a força de trabalho ativa e garantir o equilíbrio da segurança social. "Sem imigrantes, o sistema entra em colapso", alertou.
Além do impacto demográfico, o governador também destacou que os imigrantes têm papel fundamental no desenvolvimento econômico, ocupando vagas essenciais em setores como construção civil, agricultura, hotelaria e tecnologia.
“Precisamos deixar de tratar a imigração como problema e passar a vê-la como solução. É uma oportunidade para o país crescer com diversidade, inovação e mais força produtiva”, disse Centeno.
A fala acontece em um momento em que o tema da imigração está no centro dos debates políticos em Portugal, com aumento nos pedidos de regularização e também no discurso xenofóbico em alguns setores da sociedade.
Mário Centeno, que já foi ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, tem mantido uma postura técnica e pragmática, reforçando que a economia portuguesa depende diretamente da entrada de novos trabalhadores, especialmente jovens.
Números que reforçam a fala:
Em 2024, mais de 800 mil imigrantes vivem legalmente em Portugal, número que dobrou em menos de 10 anos.
A população portuguesa com mais de 65 anos já representa cerca de 23% do total. Sem aumento migratório, a população ativa pode cair drasticamente até 2050.
A fala de Centeno reforça o alerta que outros especialistas também têm feito: integrar bem os imigrantes será tão importante quanto recebê-los. Isso inclui políticas públicas de habitação, acesso à saúde, educação e combate à discriminação.






