Da Redação
A ex-deputada federal Joice Hasselmann anunciou que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira, 22, a ex-parlamentar justificou a decisão pela defesa da democracia, apesar do histórico de oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT), e relembrou o rompimento com Jair Bolsonaro (PL).
Na publicação, intitulada “Bolsonaro tentou me matar”, Joice também retomou o episódio de agressões que afirma ter sofrido em 2021. A ex-deputada relatou perseguições após se afastar do grupo político do ex-presidente e reafirmou acusações que fez contra antigos aliados.
“Perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, declarou. Ao anunciar seu posicionamento para o segundo turno, acrescentou: “Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”.
Do apoio a Bolsonaro ao rompimento político
Joice Hasselmann relembrou sua participação na campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, quando se tornou uma das principais apoiadoras do então candidato. Após a eleição, ela assumiu a liderança do governo na Câmara dos Deputados.
Segundo a ex-parlamentar, a relação com Bolsonaro começou a se deteriorar ainda no primeiro ano de mandato, quando passou a questionar a atuação do núcleo familiar e de aliados do presidente.
“Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, afirmou. Ela disse que apoiou o projeto político por acreditar que representaria uma mudança no país e fortaleceria o combate à corrupção.
A ex-deputada reconheceu que contribuiu para a ascensão do ex-presidente, mas declarou ter se arrependido do apoio depois de conhecer, segundo sua avaliação, o funcionamento interno do grupo político.
“Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”, disse, ao recordar as denúncias que afirma ter feito durante o governo.
Joice relata agressões e perseguições
No vídeo, Hasselmann afirmou que sofreu ataques à reputação, perdeu aliados e espaço político após romper com o bolsonarismo. Ela também relatou ter sido perseguida e grampeada, além de mencionar as agressões que afirma ter sofrido em 2021.
Na ocasião, a ex-deputada foi encontrada ferida em seu apartamento, em Brasília. O episódio teve repercussão nacional e foi objeto de apuração. Ao abordar o caso, Joice voltou a associar o título da publicação à sua interpretação sobre os acontecimentos.
As declarações representam a versão apresentada pela ex-parlamentar, e a acusação contra Jair Bolsonaro não deve ser confundida com uma conclusão judicial sobre sua responsabilidade pelo episódio.
Hasselmann também afirmou que denunciou, em 2019, a existência de uma minuta que, segundo ela, previa medidas para romper a ordem democrática. De acordo com seu relato, a informação foi levada ao então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
A ex-deputada sustentou que suas denúncias foram feitas antes de ganharem maior repercussão pública e que enfrentou resistência de antigos aliados políticos.
Ex-deputada afirma que divergências com o PT não impedem o voto em Lula
Ao explicar sua decisão eleitoral, Joice afirmou que continua tendo divergências com a esquerda e com o PT, mas considera que essas diferenças podem ser discutidas dentro das instituições democráticas.
A ex-parlamentar argumentou que sua escolha não representa uma adesão integral ao programa de governo de Lula. Segundo ela, o posicionamento está relacionado à preocupação com a preservação das regras democráticas e com a possibilidade de alternância de poder.
Durante a declaração, Hasselmann fez críticas à família Bolsonaro e afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia favorecer a continuidade do grupo familiar na Presidência da República.
Ela também questionou se o grupo aceitaria a chegada de um candidato de outra família ao comando do país em uma eleição futura.
Joice diz que voltará à oposição após a eleição
A ex-deputada afirmou estar ciente de que sua declaração de voto poderá provocar críticas e afastamento de pessoas com quem mantém relações políticas. Ainda assim, disse que não pretende recuar de sua posição.
Hasselmann também ressaltou que, caso Lula vença a eleição, pretende continuar fazendo oposição ao governo, mantendo suas divergências políticas com o presidente.
“Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, declarou.
Ao encerrar a manifestação, Joice reafirmou seu voto no atual presidente no segundo turno de domingo, 25 de outubro, e defendeu que a disputa eleitoral seja conduzida dentro das regras democráticas.








