Da Redação
A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta com uma máquina de contar dinheiro em um hangar utilizado por empresas de aviação do advogado e empresário Willer Tomaz, no Aeroporto Internacional de Brasília. A descoberta ocorreu durante uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O local também continha malas vazias e estruturas destinadas à guarda de objetos e valores.
Segundo informações divulgadas pela imprensa nesta quarta-feira (21), os policiais identificaram o compartimento em agosto, após receberem uma denúncia anônima. A primeira vistoria realizada no hangar não havia localizado a sala. Após o novo alerta, os agentes retornaram ao endereço e identificaram uma entrada escondida atrás de um painel de madeira, protegida por uma porta metálica reforçada, aparentemente blindada.
No interior do espaço, os investigadores encontraram prateleiras, malas vazias, uma máquina de contar cédulas e divisórias internas. Apesar dos equipamentos, não havia dinheiro em espécie no compartimento no momento da diligência. A Polícia Federal investiga se o ambiente era utilizado para armazenar ou transportar valores e se existe alguma relação entre a estrutura e as movimentações financeiras sob apuração.
A defesa de Willer Tomaz confirmou a existência da sala, mas negou qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmaram que o espaço e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional utilizada no atendimento a empresas de transporte de valores que são clientes das companhias de aviação do empresário. Segundo a defesa, o transporte aéreo de numerário exige procedimentos específicos de segurança, controle e custódia, o que justificaria a presença de ambientes protegidos, malas e máquinas de contagem de dinheiro.
Os representantes do advogado classificaram como infundada a suspeita de que o compartimento seria utilizado para guardar recursos de origem ilícita. Também ressaltaram que nenhuma quantia foi encontrada no local e criticaram a interpretação de que a existência dos equipamentos seria suficiente para levantar suspeitas criminais.
A operação que levou à descoberta da sala ocorreu em 7 de agosto, quando policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão nos hangares 36 e 37 da área executiva do Aeroporto de Brasília. Durante a ação, os agentes apreenderam quatro aeronaves vinculadas a empresas de Willer Tomaz e recolheram documentos, listas de passageiros e diários de bordo. O material será analisado para identificar quem utilizou as aeronaves e verificar possíveis conexões com as movimentações investigadas.
A PF também recolheu equipamentos responsáveis pelo armazenamento de imagens de câmeras instaladas em uma propriedade rural do advogado, em Planaltina de Goiás. Os registros podem ajudar a esclarecer a circulação de pessoas, veículos e bens no local durante o período analisado pelos investigadores.
Willer Tomaz entrou no radar das autoridades em uma investigação sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro. A Operação Sem Desconto apura um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários e suspeitas de ocultação da origem e do destino de recursos. Nesta etapa, os investigadores buscam identificar se movimentações financeiras e patrimoniais foram realizadas por meio de empresas, contas bancárias de terceiros e operações com dinheiro em espécie.
Em outra frente investigativa, o nome do advogado também aparece em apurações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem mantém uma relação de amizade. Os dois são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. A investigação teve origem em apurações sobre movimentações financeiras e possíveis relações com empresas de apostas. Flávio nega envolvimento ilícito e afirma que sua relação com Tomaz é de amizade.
A descoberta da sala no hangar, contudo, não comprova, por si só, que o espaço tenha sido utilizado para atividades ilegais, nem demonstra que o senador tenha feito uso do local. A própria investigação ainda busca esclarecer a finalidade do compartimento e a eventual relação com os fatos apurados.
A defesa de Willer Tomaz sustenta que as instalações são compatíveis com atividades empresariais lícitas e que o advogado não tem envolvimento com as irregularidades investigadas. Os materiais recolhidos pela Polícia Federal permanecem sob análise, e as autoridades deverão aprofundar as diligências para esclarecer a origem e a destinação dos recursos eventualmente relacionados ao caso.








