Da Redação
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, ampliou as exigências para autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, mesmo depois de a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que aceita as 19 condições apresentadas inicialmente pelo adversário. Em nova manifestação protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio passou a cobrar informações adicionais sobre pessoas próximas ao presidente, movimentações financeiras de instituições e despesas do governo federal.
A nova lista foi divulgada na noite de quarta-feira (21). Entre os pedidos estão a divulgação das movimentações financeiras do Instituto Lula desde sua fundação, mensagens de WhatsApp, registros de ligações, extratos bancários e faturas de cartões de crédito de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
O senador também voltou a exigir a divulgação integral dos gastos com cartões corporativos da Presidência da República, incluindo despesas relacionadas à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Além disso, pediu registros de visitantes do Palácio do Planalto e de entradas no Palácio da Alvorada que permanecem sob sigilo.
A disputa começou durante o debate presidencial da TV Band, realizado no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a abertura dos próprios sigilos. Na terça-feira (20), o presidente apresentou ao TSE uma autorização para a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos, além de informações de familiares e de uma empresa ligada a ele. A medida, porém, foi condicionada à adoção de procedimento equivalente pelo adversário.
Na quarta-feira (21), Flávio apresentou uma petição autorizando a divulgação de seus sigilos referentes aos últimos 20 anos. A autorização também abrange familiares mencionados pelo presidente e empresas das quais o senador é sócio ou administrador. Em contrapartida, o candidato do PL estabeleceu condições para que Lula ampliasse o alcance da divulgação de informações envolvendo pessoas próximas e integrantes de seu governo.
A coordenação da campanha petista afirmou que o presidente aceita as exigências. O senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da equipe política de Lula, declarou que a resposta seria formalizada nesta quinta-feira (22), às 11h, no TSE. Segundo ele, a abertura dos dados deve ocorrer de forma recíproca, para que os dois candidatos cumpram os compromissos assumidos.
Entre os novos pedidos de Flávio está a divulgação de informações sobre o Instituto Lula e os registros financeiros da instituição desde sua criação. O senador também solicitou a abertura dos sigilos telefônico e de mensagens de Paulo Okamotto, dirigente do instituto, além de informações sobre pessoas e empresas que teriam recebido recursos da organização.
Outra exigência envolve Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Flávio pede acesso às mensagens de WhatsApp, ligações telefônicas, extratos bancários e faturas de cartões de crédito do ex-assessor. O argumento apresentado pela defesa é que informações sobre pessoas próximas ao presidente ajudariam a esclarecer contatos e relações que não apareceriam diretamente nos registros pessoais de Lula.
A lista também inclui solicitações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio quer acesso aos registros de uma reunião realizada entre Lula e Vorcaro em dezembro de 2024, além de informações sobre visitantes do banqueiro, entradas de intermediários nos palácios presidenciais e registros de voos de uma aeronave atribuída a ele.
O documento pede ainda informações sobre encontros envolvendo o ex-ministro Guido Mantega e Augusto Lima, ligado ao Banco Master. As solicitações estão relacionadas às suspeitas e investigações que envolvem a instituição financeira e suas relações com integrantes do meio político. A inclusão dos nomes na petição, entretanto, não representa comprovação de irregularidades por parte das pessoas citadas.
Outro eixo das exigências trata de Roberta Luchsinger, empresária e lobista mencionada em investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio solicita informações sobre suas visitas ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada, reuniões em órgãos federais e viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Também pede a divulgação de dados financeiros relacionados à empresária e à empresa RL Consultoria e Intermediações.
A petição inclui ainda pedidos de abertura de sigilo de José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). O senador também solicita informações sobre a entidade e sobre Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios previdenciários.
No campo das despesas públicas, Flávio exige a divulgação completa dos gastos com o cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023. O pedido abrange também a agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025, registros de visitas dos filhos de Lula aos palácios presidenciais, informações sobre o uso de helicópteros e despesas do Palácio da Alvorada.
A defesa do senador argumenta que a proposta inicial de Lula seria insuficiente para esclarecer suspeitas relacionadas a pessoas e empresas próximas ao presidente. Por isso, sustenta que a transparência deve alcançar não apenas os dados pessoais dos candidatos, mas também informações financeiras e administrativas ligadas a seus círculos de relacionamento e à utilização de recursos públicos.
Flávio também pediu ao TSE que Lula seja formalmente intimado a se manifestar sobre as condições adicionais. Caso o presidente não concorde com algum dos pedidos, o senador quer que a eventual recusa seja registrada no processo.
A campanha petista, por sua vez, afirma não se opor às exigências apresentadas, desde que Flávio também autorize a divulgação das informações solicitadas por Lula. A expectativa anunciada pela coordenação do presidente era de que os documentos fossem apresentados ao tribunal na manhã desta quinta-feira (22), antes da votação do segundo turno, marcado para domingo (25).
A troca de exigências transformou a abertura dos sigilos em mais um ponto de confronto entre os candidatos na reta final da campanha presidencial. Embora ambos tenham declarado disposição para divulgar informações financeiras e telefônicas, o alcance dos pedidos e a inclusão de familiares, ex-assessores, empresários e despesas governamentais ampliaram o debate sobre transparência e responsabilidade pública.








