Estado encerrou 2025 com mais de 13,4 mil registros em aberto; número de novos desaparecimentos também apresentou crescimento

Goiás encerrou 2025 com 13.422 registros de pessoas desaparecidas ainda não localizadas, número 570,2% maior que o contabilizado ao final de 2024, quando havia 2.003 ocorrências nessa situação. Os dados fazem parte do Relatório Estatístico Anual de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O levantamento coloca Goiás entre os estados brasileiros que apresentaram os maiores crescimentos no número de registros que permaneciam em aberto. Apesar do avanço expressivo nesse indicador, a quantidade de novos desaparecimentos registrados ao longo do ano teve aumento bem menor.

Durante 2025, foram contabilizados 3.869 desaparecimentos no Estado. No ano anterior, haviam sido 3.624, o que representa crescimento de 6,76%, com 245 ocorrências a mais.

Os dois dados, no entanto, representam situações distintas. Os 3.869 casos dizem respeito exclusivamente aos desaparecimentos registrados durante 2025. Já os 13.422 correspondem ao conjunto de ocorrências que permaneciam sem solução até 31 de dezembro, o que inclui desaparecimentos registrados em anos anteriores.

Dessa forma, o total de mais de 13 mil registros em aberto não significa que todas essas pessoas tenham desaparecido ao longo de 2025.

Com o aumento das ocorrências registradas durante o ano, a taxa de desaparecimentos em Goiás passou de 51,4 para 54,8 casos a cada 100 mil habitantes.

Goiás concentra 40% dos casos do Centro-Oeste

Os dados também mostram que Goiás respondeu por uma parcela significativa dos desaparecimentos registrados na região Centro-Oeste.

Ao todo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal somaram 9.594 ocorrências em 2025. Aproximadamente 40% desses registros foram contabilizados em território goiano.

No cenário nacional, o Centro-Oeste foi responsável por 11,8% dos desaparecimentos registrados no período. Em relação a 2024, o número total de ocorrências na região apresentou uma pequena variação positiva, de 0,68%.

Mato Grosso seguiu movimento diferente e registrou redução de 7% nos casos.

Homens representam maioria dos desaparecimentos

Entre os 3.869 desaparecimentos registrados em Goiás durante 2025, os homens representaram a maior parcela das ocorrências. Foram 2.404 registros envolvendo pessoas do sexo masculino e 1.394 do sexo feminino. Em outros 71 casos, essa informação não foi registrada.

Os adultos também concentraram a maior quantidade de ocorrências quando considerada a faixa etária. Foram 2.265 desaparecimentos nesse grupo.

Entre adolescentes, o Estado contabilizou 809 casos. Também foram registrados 322 desaparecimentos de idosos e 106 de crianças. Em outras 367 ocorrências, não havia informação sobre a idade da pessoa desaparecida.

Número de pessoas localizadas recua em Goiás

Enquanto os registros em aberto cresceram, a quantidade de pessoas localizadas apresentou redução no Estado.

Em 2025, 2.429 pessoas foram encontradas em Goiás. No ano anterior, haviam sido 3.004 localizações. A diferença representa uma queda de 19,14%.

O Ministério da Justiça, porém, ressalta que os números de desaparecimentos e localizações registrados em um mesmo ano não necessariamente estão diretamente relacionados.

Isso ocorre porque uma pessoa encontrada durante 2025, por exemplo, pode ter sido declarada desaparecida em anos anteriores. Por esse motivo, a redução no número anual de localizações não permite, isoladamente, concluir que houve piora na capacidade das autoridades de encontrar pessoas desaparecidas.

Outros estados também registraram forte crescimento

Além de Goiás, outros estados brasileiros apresentaram aumentos expressivos no número de registros de desaparecidos que permaneciam sem localização.

No Amapá, o número passou de 112 para 1.882 registros. No Piauí, houve crescimento de 117 para 728 casos.

As informações utilizadas no levantamento foram fornecidas pelos órgãos estaduais responsáveis pelas políticas de busca de pessoas desaparecidas e consolidadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O relatório reúne dados sobre desaparecimentos e localizações em todo o país, com informações divididas por estado, sexo, faixa etária, raça e situação das ocorrências.