O governo de Donald Trump lançou um videogame que simula a deportação de imigrantes nos Estados Unidos. A ferramenta está disponível no site oficial da Casa Branca.
A ideia é promover aspectos da agenda do presidente de forma provocativa. A publicação gerou reações imediatas de grupos de direitos humanos, enquanto o governo defendeu a iniciativa como contraponto à chamada “visão socialista” dos democratas.

Funcionamento do jogo no site da Casa Branca
Inspirado no clássico “jogo da cobrinha”, o título tem visual retrô e coloca o usuário no papel de Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”. O objetivo é conduzir o personagem para reunir pessoas que atravessaram o Rio Grande, na fronteira com o México, e deportá-las.
O lançamento ocorre enquanto o governo americano intensifica seu programa de detenções e deportações em massa de imigrantes.
Coleção Arcade inclui mecânica no estilo Tetris
A novidade integra o Arcade, seção do site da Casa Branca com cinco jogos de baixa resolução voltados a diferentes aspectos da agenda de Trump.
Outra opção adapta a lógica do Tetris. Com o título “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”, o jogo desafia o usuário a construir um muro na fronteira com o México, projeto promovido pelo presidente.
- O jogo principal usa a mecânica da cobrinha para simular a captura e deportação de imigrantes.
- A versão inspirada em Tetris coloca o usuário para construir o muro na fronteira mexicana.
- O DHS afirmou ter detido quase 51 mil imigrantes sem documentos em agosto, número considerado recorde pelo departamento.
Tetris Company se distancia de jogo da Casa Branca
A empresa responsável pela marca Tetris afirmou que não participou da criação de “Build the Wall”, jogo da Casa Branca que reproduz elementos associados ao clássico de blocos. Em comunicado publicado nas redes sociais, a companhia declarou que “leva violações de direitos autorais muito a sério” e destacou que acredita no poder da conexão e de aproximar pessoas, e não de dividi-las.
P.S. The Tetris Company was not involved in the creation of ‘Build the Wall’.
P.P.S. We take copyright infringement very seriously. pic.twitter.com/Fu02khRpT3
— Tetris (@Tetris_Official) September 4, 2026
Até o momento, não há informação de que a Tetris Company tenha solicitado formalmente a retirada do jogo. A empresa também não confirmou se pretende tomar medidas relacionadas ao uso de elementos semelhantes aos de sua propriedade intelectual.
Reação de ONGs e posicionamento oficial
Grupos de direitos humanos criticaram rapidamente a iniciativa. Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, sediada no Texas, condenou a transformação das ações do governo em entretenimento.
“Isso me dá nojo. Eles passam anos brincando com a vida das pessoas e agora fazem um videogame com suas ações”, declarou García Grewal à AFP.
“Quem o criou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros”, acrescentou.
A Casa Branca defendeu a publicação. Em comunicado enviado à AFP, afirmou que o videogame “ressalta ainda mais o contraste entre uma cultura ‘divertida’ e ‘de sucesso’ e a visão socialista sombria que os democratas têm para os Estados Unidos”.

Provocação nas redes e recorde de detenções
A iniciativa segue uma estratégia de comunicação que a Casa Branca emprega abertamente nas redes sociais: o “trolling”, prática de divulgar conteúdo provocador para gerar indignação e viralizar.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) também publicou recentemente um vídeo que mostra a deportação de imigrantes haitianos algemados, depois que Washington revogou um status que permitia a permanência legal deles no país. O material foi considerado degradante e racista por opositores de Trump.
Os videogames fazem parte de uma estratégia de comunicação cada vez mais provocativa da Casa Branca, em um momento de intensificação das detenções e deportações de imigrantes nos Estados Unidos.
Fonte: Olhar Digital








