Da Redação
Estado contabilizou mais de 12 mil notificações da infecção no ano passado, crescimento de 19,3% em relação a 2024; pessoas entre 20 e 29 anos concentram maior número de registros
Goiás atingiu, em 2025, o maior número de notificações de sífilis adquirida desde o início da série histórica, em 2010. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) apontam que foram registrados 12.012 casos notificados ao longo do ano, o equivalente a uma média de quase 33 registros por dia.
O resultado representa um crescimento de 19,3% em comparação com 2024, quando o Estado contabilizou 10.070 notificações. Entre os pacientes registrados no último ano, os homens foram maioria, enquanto os jovens entre 20 e 29 anos formaram a faixa etária com maior concentração de ocorrências.
Número volta a crescer após queda em 2024
Os dados mostram uma retomada no crescimento das notificações após uma pequena redução registrada anteriormente. Em 2023, Goiás teve 10.296 notificações de sífilis adquirida. Em 2024, o total caiu para 10.070, diferença de 226 registros.
Já em 2025, o cenário mudou. Foram 1.942 notificações a mais em relação ao ano anterior, levando o Estado ao recorde de 12.012 ocorrências.
A diferença é ainda maior quando os números atuais são comparados aos registrados no início desta década. Em 2020, Goiás contabilizou 4.445 notificações. Dessa forma, o total observado em 2025 é cerca de 170% superior ao daquele ano.
Homens representam mais de 60% das notificações
O levantamento da SES-GO também revela uma diferença significativa entre homens e mulheres. Dos 12.012 registros feitos em 2025, 7.485 eram de pacientes do sexo masculino, correspondendo a 62,3% do total.
Entre as mulheres, foram registradas 4.482 notificações. Outros 45 registros não apresentavam informação sobre o sexo do paciente.
Na prática, aproximadamente seis em cada dez notificações de sífilis adquirida feitas em Goiás ao longo de 2025 envolveram homens.
Jovens de 20 a 29 anos concentram casos
A distribuição por idade mostra que os jovens adultos são o grupo com maior número de registros. Pessoas com idade entre 20 e 29 anos somaram 4.544 notificações, o equivalente a 37,8% de todos os casos registrados no Estado em 2025.
Em seguida aparecem os pacientes entre 30 e 39 anos, com 2.953 notificações. A terceira maior concentração está entre pessoas de 40 a 49 anos, grupo que contabilizou 1.725 registros durante o período.
Sífilis tem tratamento e cura
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada pela bactéria Treponema pallidum. Uma das principais formas de transmissão ocorre por meio de relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada.
A infecção possui tratamento e pode ser curada. No entanto, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode permanecer no organismo e evoluir para formas mais graves.
Em estágios avançados, a doença pode provocar complicações e atingir diferentes partes do corpo, incluindo sistema nervoso, coração, vasos sanguíneos, olhos e cérebro.
Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são importantes tanto para evitar complicações quanto para interromper a cadeia de transmissão.
Notificações não significam necessariamente novas infecções
Apesar do recorde registrado em 2025, os dados precisam ser interpretados levando em consideração a forma como funciona o sistema de vigilância epidemiológica.
O número divulgado corresponde às notificações realizadas pelos serviços de saúde, ou seja, aos casos identificados e registrados no sistema naquele período. Isso significa que os 12.012 registros não necessariamente representam pessoas que contraíram a infecção especificamente durante 2025.
O aumento também pode estar relacionado à identificação de casos que anteriormente não haviam sido diagnosticados ou notificados. Por isso, os números representam registros oficiais da doença e não podem ser interpretados exclusivamente como novas transmissões ocorridas naquele ano.
Dados de 2026 ainda são parciais
A Secretaria de Estado da Saúde já possui notificações referentes a 2026, mas os números disponíveis até o momento são parciais.
Como o ano ainda está em andamento, os registros atuais não podem ser comparados diretamente com os resultados consolidados de 2025 e dos anos anteriores.
O balanço de 2025, portanto, permanece como o maior já registrado em Goiás desde o início da série histórica disponível, em 2010.








