Da Redação

Um estudo da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) aponta que os investimentos em minerais críticos e elementos de terras raras têm potencial para transformar a economia brasileira nas próximas décadas, com destaque para Goiás e Minas Gerais. Apenas os projetos voltados às terras raras nos dois estados somam US$ 2,39 bilhões em investimentos previstos entre 2026 e 2030.

De acordo com o levantamento, elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a expansão da cadeia de minerais críticos poderá acrescentar até R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2050, além da criação de aproximadamente 750 mil empregos. O estudo contou com apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor.

Entre os minerais considerados estratégicos estão elementos de terras raras como neodímio, praseodímio, disprósio e gadolínio, essenciais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, baterias e outras tecnologias ligadas à transição energética. A demanda global por esses materiais deve crescer, em média, 28,2% ao ano até 2050.

O estudo apresenta dois cenários para o desenvolvimento do setor. No primeiro, em que predominam investimentos nacionais e a produção continua concentrada na exportação de matéria-prima, o impacto estimado é de R$ 128,7 bilhões no PIB brasileiro e a geração de cerca de 304 mil empregos.

Já o segundo cenário considera maior participação de investimentos estrangeiros, ampliação do processamento dos minerais em território nacional e maior utilização pela indústria brasileira. Nesse caso, os investimentos chegariam a R$ 120,9 bilhões, elevando o impacto econômico para R$ 192,1 bilhões no PIB e ampliando a geração de empregos para 750 mil vagas.

Segundo a Amcham Brasil, a diferença entre os dois cenários demonstra o potencial de ganhos proporcionados pela agregação de valor dentro do país. A maior atração de capital internacional e o fortalecimento da cadeia produtiva poderiam acrescentar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e cerca de 446 mil empregos adicionais.

Entre os estados que mais devem se beneficiar da expansão da mineração de minerais críticos estão Pará, Bahia, Goiás, Piauí e Minas Gerais. Goiás aparece entre os principais destaques devido aos investimentos em terras raras e níquel, impulsionados, entre outros projetos, pela operação da Serra Verde, em Minaçu, que iniciou a produção de óxidos de terras raras em 2024.

Além dos estados mineradores, o estudo indica que o processamento doméstico dos minerais poderá ampliar os benefícios para regiões com maior parque industrial, fortalecendo segmentos como máquinas e equipamentos elétricos, máquinas para mineração e indústria automotiva, além de aumentar a competitividade brasileira nas cadeias globais voltadas às tecnologias de energia limpa.